domingo, 19 de julho de 2015

A ti deixava-te o ânus ao pendurão

Em questões de assédio no quotidiano vivi até aos 20 anos de forma pacífica e tranquila. Um comentário aqui e ali, mas nada transcendente.
Até chegar aos 21. Aí a conversa (literalmente) foi outra. Nesta idade provei da magnífica poesia que o cérebro masculino é capaz de processar. E daí provêm estas palavras:
"A ti deixava-te o ânus ao pendurão" 
O que é feito dos belos piropos? O que é que aconteceu a um bom e velho "Oh jóia anda aqui ao ourives?" que, apesar de nos fazer corar e enraivecer durante segundos também proporciona minutos de riso?
Desde quando é que mulher passou a ser significado de "objeto sexual"?
Eu sou Mulher. M-U-L-H-E-R. Não sou pudica, não sou puta, não sou santa. Sou humana com direitos e deveres.

Vamos lá puxar o jucoso de toda esta situação:
"A ti, deixava-te o ânus aos pendurão"
Primeiro que tudo, não amigo, não deixavas que eu não to permitiria.
Em segundo, como é que o farias?!?! Juro que me interrogo desta tua capacidade.
Será que estás a tentar dar ênfase ao teu magnífico poder de sucção?!
Será que se calhar preferias sugar algum membro que está anatomicamente ao pendurão, como por exemplo, um pénis?! Hhhmmmm, se calhar és apenas um homem preso numa alma de mulher que não se sabe admitir como tal.
Ou, então, não... Então sofrerás tu de uma crise de hemorróidas tal que não sabes expressar a tua dor se não "dói-me tanto que parece que tenho o ânus ao pendurão". E, olha, como estimulo cerebral não é muito a tua praia ficas ali a meio termo e afirmas para ti próprio: "É pá Zé, que boa ideia que tu tiveste, assim, com esta frase de engate é que lhe saltas à cueca". Não.

Por isso, caro amigo, da próxima vez que gritares coisas bonitas deste género, pára e explica, pelo menos, o motivo e o encanto dessa tua arma de sedução, em vez de fugires dentro de um carro.

Belly Kisses! :)

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